Publicado em Poematizese

Como eu me sinto quando a pessoa que eu amo diz que minhas frustrações são “bobagens”

Olá queridos, fizemos um ano de existência há dois dias. Estou naquela loucura, mas ainda quero comemorar. Principalmente, com os mais fiéis que estão sempre por aqui, deixando um pouco de vocês e levando um pouco de mim. Minha gratidão à vocês.

~

Hoje vou contar a história de Mariazinha. Seu nome comum com certeza esconde a delicadeza de seu coração. É, ela é só mais uma Maria. Mariazinha.

Quando a conheci ela parecia uma moça selvagem. Falava pelos cotovelos, mal tinha modos e estava sempre saltitante como uma cabrita. Sua áurea infantil encantava muitos e incomodava alguns, que não conseguiam entender como uma moça daquela idade se portava como criança em tantas situações.

Mariazinha não tinha família. Tinha sua cuidadora chamada Ria, muitos amigos, um pseudo namorado e mais algumas paqueras de janela pela pequena cidade. Como eu disse, a moça encantava.

De doce tinha quase tudo, mas de fera, tinha ainda mais. Seus olhos ferozes revelam seu instinto protetor para com seus entes queridos, e principalmente, consigo mesma.

Mariazinha raramente ficava com um ânimo ruim. Ela tentava ao máximo ser otimista, na maior parte do tempo. Mas dia desses estava me contando, que se sentiu extremamente ofendida quando Rag (seu pseudo namorado) disse que ela se frustrara por besteiras e que as coisas que a incomodavam eram superficiais.

Fiquei olhando Mariazinha me contando. Ela parecia distante como quem conta sobre um filme de terror, no qual, não está inserido.
Mariazinha dizia: “Que audácia. Como alguém acha que consegue espiar o coração alheio? Sabe Lili – essa sou eu – , estou muito chateada.

Ela falava e parava. Parecia medir as palavras porque talvez saíssem ruins demais, “… acho indigno colocar juízo de valor nos sentimentos de alguém. Me senti pior do que estava antes, sabe quando você pensa que é meio louca? Que está exagerando? Mas depois percebi que não era meu cérebro que mandava mensagens de chateação, era meu coração, e você sabe Lili, o coração é sujeito que não mente.

Fiquei ouvindo Mariazinha, até porque eu não poderia responder muita coisa. Eu sou muda, sofri um acidente que prejudicou minha fala. Enfim, já falei antes. Agora não dá mais.

Depois que fui para minha casa, comecei a refletir sobre o porquê de quando alguém que amamos fala coisas que são inverdades, nos machuca tanto, sendo que, devemos levar em consideração de que são tão humanos quanto nós, que erram e podem fazer coisas ruins ou surpreendentes como qualquer outra pessoa.

Cheguei à única conclusão que a minha experiência humana me deu: somos pobres seres iludidos. Criamos ilusões e histórias fantásticas acerca das pessoas, mas, as histórias são nossas e as esperanças também. As pessoas não. São seres tentando evoluir. Cabe a nós aceitar, conviver ou não. Culpar o outro pela sua esperança é mesquinho.

Além disso, a outra pessoa não é obrigada a saber o que você deseja.

Mas deixo aqui uma nota sobre essa polêmica: o respeito faz uma coisa muito bonita com a gente. Faz a gente entender que o outro tem uma referência diferente da nossa. E que se o fizermos sentir mal, no mínimo, uma dose de empatia e um pedido de desculpas sinceras fariam toda a diferença.

Se você bater a cabeça querendo ter razão sobre uma coisa que você não está sentindo porque não é a outra pessoa, a tendência é machucar ela ainda mais. E queremos alegria, não é mesmo?

Por isso, eu fui intrometida e escrevi para o Rag: “peça desculpas à Mariazinha, foi o coração dela que doeu”.

No outro dia, a vi dando algumas risadas quando passou aqui pelo jardim. Acho que o que doeu foi a falta de empatia, de o outro não se colocar no lugar dela. Sabem amiguinhos, essa mania dói mesmo.

Lembrem disso quando alguém disser que está chateado. Se para você for besteira, lembre-se: para o outro não é.

Autor:

Metamorfose ambulante, ♥

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