Publicado em Poematizese

Se ela cansar, ela vai embora sem titubear

Provavelmente você a subestimou. Ela chegou, sentou no ambiente e observou. Passaram algumas horas, estranhos se aproximaram e ela se soltou. Você não tinha percebido que ela estava ali antes da primeira gargalhada, da primeira gíria, das palavras cruzadas, do jeito escancarado dela.

Ela parecia tão invisível há vinte minutos atrás, agora, a sala inteira olha e se diverte com ela. Ela continua olhando para todos ao redor, mas não como te olha. Você não sabe o que esse olhar quer dizer, mas sente a intenção diferente dela.

Cinco minutos depois vocês já estão íntimos, conectados. Parece que a vida inteira vocês tinham compartilhado (nessas duas horas passadas, ou, pela vida inteira via cosmos). Ela é o tipo de garota que sabe se comportar, mas não se importa, porque usa as asas como guia. Ela é livre. Deixa todos livre em volta dela, pois gosta de sentir-se assim também.

Mas por um momento você sente que ela é sua. E ela é. Naquele momento, todos as moléculas do corpo dela estão direcionadas para você. A garota é tão intensa, que nas duas semanas que passaram te fez sentir que estava apaixonado.

Aí ela te abraçou e eternizou na alma dela o teu abraço. Passaram alguns dias, você sentia que estava com ela nas mãos, ela, sem perceber sua ambição, esqueceu de te avisar: mal tinha chego, já estava voando.

Essa mulher é assim. Ela te faz sentir amado, porque te ama de verdade. O amor dela é forte, te protege, te acolhe. Então, quando ela sente que está na hora de ir embora, não avisa ninguém que vai voar.

E voa. Para outro ambiente, para outro lugar. Abraçando as almas estranhas que estão distraídas. É uma mulher, mas também é uma pássara. Canta de manhã, dança a tarde inteira, à noite, ela senta na beira da janela e conversa com a lua cheia.

Você vai sentir saudade dela. Saudade de como ela te olhava.

Pássaras que estão longe do seu lar se cansam de esperar a estação mudar, saem voando, deixando os beijos nos amores que conseguiram vivenciar. Ela vai embora porque não se sente em casa, quem sabe um dia ela acha seu ninho e você possa a visitar.

Abraçar, beijar, conversar e descobrir que ela só mudou de lugar.

Seu novo lar tem amoras. E sorrisos. Pôr do sol na beira do rio.

Alguém que olha ela, como ela te olhou desde o primeiro dia.

Aí você vai lembrar como é ser amado por ela.

Autor:

Metamorfose ambulante, ♥

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