Publicado em Poematizese

Carta ao meu subordinado.

Olá querido subordinado,

Lembro de quando nos conhecemos. Você esperava que eu fosse uma coisa, você tentou perceber como era o modo que seu trabalho atendia mais aos meus objetivos e os objetivos da empresa. Você chegou cheio de gás, assim, como todos os outros empregados que depois de um tempo de desemprego, chegam no emprego “dos sonhos”.

Eu te entendo. O tempo passou e algumas pequenas coisas começaram a incomodar, principalmente eu, seu “chefe”, como ouço por aí. Apesar de eu estar sempre em silêncio sobre suas impressões, acredite, escuto a maioria delas pelos corredores.

Você acha que estou trabalhando demais, “ele não deve ter vida, só vive aqui no trabalho”, você tem razão, com um cargo maior, não se aumenta só o salário, aumenta-se também as responsabilidades.

“Ele não sabe o que quer, cada hora diz para fazermos uma coisa”, você também deve ter razão nesse ponto. Eu tenho um líder que me cobra muito mais do que eu te cobro, ele quer dados de todos os funcionários que estão sob minha supervisão. Na administração, as coisas mudam o tempo todo, hoje o que é importante, amanhã pode não ser mais.

Eu assumi um trabalho dúbio: o de liderar e o de ser liderado. De todos, acredito que este é um dos mais difíceis. Sob minha liderança estão funcionários de grande potencial, que acreditam que sua maneira empreendedora de resolver os problemas é a melhor solução, talvez você esteja certo, mas acredite, existe uma empresa que está aqui há anos lidando com situações parecidas das quais muitas vezes saiu vitoriosa.

Eu quero encorajar você a ser mais participativo nas decisões que competem à nossa empresa, mas meu líder, também quer que eu colabore com as necessidades imediatas que a empresa tem. As vezes eu acho que eles exageram, mas quem sabe, não é?

Quero pedir que você seja compreensivo. Provavelmente não serei o líder dos seus sonhos, provavelmente te direi muito mais vezes no que seu desempenho falhou do que te elogiarei. Os seus pontos fortes serão apresentados como obrigações, eu sei, os pontos fracos serão cada vez mais referenciados até serem eliminados.

Como seu líder, minha obrigação é exigir o melhor de você. E se eu exijo, é porque sei que você pode fazer melhor do que está fazendo agora, eu acredito em você. Quando sentir muita raiva do seu chefe que sempre reclama do seu trabalho, lembre-se que quem reclama, ainda se importa. Lembre-se que só evoluímos quando temos pontos a melhorar.

E principalmente, lembre-se que quando formos para casa, seremos tão próximos ou tão estranhos quanto outra pessoa qualquer. Mas aqui na empresa, precisamos ter ‘essa’ postura profissional, de separar o que é meu sentimento da minha obrigação.

Obrigada pela dedicação.

Atenciosamente,

Seu “chefe”.

Autor:

Metamorfose ambulante, ♥

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