Publicado em Poematizese

cochicha daqui, cochicho de lá

Cochicha daqui, cochicho de lá

Vimos-nos sozinhos no bar. Era só uma coxinha no bar da esquina, mas lá dentro as coisas começaram a mudar. De repente o assunto mudou. Paramos de falar dos outros, subitamente todas as pessoas que importavam naquele momento, estavam ali, na nossa mesa.

Segurando as mãos, o acariciar de dedos. Ele me encarou por meio segundo, se aproximou, levantou um pouco da cadeira, inclinou-se em minha direção, eu me estiquei. Foi quando ele mergulhou o rosto nos meus cabelos e soprou o cochicho em meu ouvido: “por que aqui com você, estou imergindo em outra dimensão?”. Ele ficou lá meio segundo enquanto eu fechava os olhos e sorria.

Passaram vinte e cinco dias, os laços enlaçados e as mãos dadas prevaleciam, descobrimos como caminhar juntos poderia trazer outra visão das paisagens. Cochicha daqui, cochicho de lá. Esse universo tão nosso, que só nós podemos enxergar, vivenciar.

A porta do quarto está aberta mais uma vez. Entrei e o vi atravessado na cama. Fiquei agradecida por tudo isso estar acontecendo conosco, esse é só o começo de uma história feliz: quando você encontra alguém que sempre quis…

Dois meses depois

Estava saindo da livraria, comprei o livro favorito para presenteá-lo, amanhã é seu aniversário, fora o bolo, eu queria fazer algo especial… Ele não queria presente, mas resolvi presentear.

Tudo estava florescendo tão bonito, ainda éramos nós mesmos, nos descobrindo todos os dias. Eu não podia deixar essa vontade de fazê-lo feliz passar. Foi quando recebi o telefonema.

Depois daquele dia me perguntei o motivo disso acontecer logo conosco. Aquele momento doloroso de olhar em volta e se sentir completamente perdida, eu não sabia para onde ir, até que vi onde consegui chegar.

Respirando o bar vazio, fiquei atônita a esperar, uma ação, um olhar a me mirar… Nada acontecia. Eu vi a nossa mesa e ele com outra mulher, na nossa mesa. Esse estranho que eu não conseguia enxergar.

Abri os olhos no quartinho, onde estava a sonhar as lembranças da nossa primeira noite de um novo olhar, cochicha daqui, cochicho de lá. Esse universo tão nosso, que só nós podemos enxergar, vivenciar.

A única coisa que não saía da minha cabeça, era aquela voz que dizia do outro lado do telefone: “Sinto muito, ele sofreu um acidente…”.

Cochicha daqui, cochicho de lá. Tu Tu Tu Tu…

Autor:

Metamorfose ambulante, ♥

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