Publicado em Poematizese

o carinho que não posso dar

 

“Estamos trancafiados em uma cela. O ar está denso. Aqui dentro tem prédios, ruas, lares, escolas, lugares, cidades, estados, países e continentes. Aqui podemos tudo, menos nos libertar.”

Eu escrevi essa frase obviamente influenciada pelo livro que estou lendo – inclusive, pretendo fazer um post sobre ele – mas, o que quero questionar hoje é a nossa postura afetiva. Eu vi alguns vídeos, li alguns textos, observei um pouco mais este aspecto da minha vida e posso dizer que encontrei coisas bem tristes mas que podem ser mudadas.

Infelizmente, aprendemos em algum lugar horrível que demonstrar nosso afeto, estima e carinho é ruim, de alguma forma vergonhoso ou mesmo uma “vulnerabilidade” (PELO AMOR DE DEUS, NÉ?!). Não sei porque razão associamos à uma coisa ruim e eu acho isso realmente péssimo por diversas razões.

Eu não sei se isso acontece com vocês, mas comigo, todas as vezes que conheço alguma pessoa eu nunca sei como posso cumprimentar (um beijo, um abraço, um aperto de mão, um aceno de longe? sei lá), eu e o novo ou nova apresentada ficamos naquele meio segundo de aproximação lenta tentando descobrir qual é o sinal que a pessoa vai dar. Eu acho isso tão constrangedor.

Outro exemplo, são pessoas conhecidas que você cumprimenta com um beijo no rosto (que raramente é um beijo mesmo – geralmente é aquele encostar de rostos de um milésimo de segundo, e confesso: faço isso também), onde você está louco para abraçar fulano ou ciclano, mas se sente sempre invadindo o espaço do outro. Meu Deus por quê?

Obviamente que eu não quero falar somente destes casos pequenos, mas que fariam muita diferença se fossem modificados, porque geraria uma cadeia sem fim de reflexão acerca do contato com o outro, porém, eu acredito ser importante falar sobre isso gradativamente.

Acontece que o contato de alguma forma foi se tornando uma coisa “para um lugar adequado”, o que é muito triste, considerando o fato de que somos seres humanos e precisamos MESMO de afeto para melhorar muitas coisas na nossa vida, como: a auto estima, a saúde, o bem estar, sentir-se amado, amar, ter compaixão, criar vínculos, e óh, por aí vai…

Somos um povo quente, com sorrisos abertos e sinceros, com a alma em chamas e uma alegria invejável, no entanto, no contato pessoal, às vezes, soamos frio como a Sibéria – E BOTA LUGAR FRIO NISSO -.

Muitas vezes eu vejo como o carinho incomoda, por exemplo, quando um casal está na rua, fazendo carícias inocentes ( não tem nada demais fazer um cafuné no seu par na rua, ok?!), e as pessoas olham aquilo repreendendo, me dá vontade de falar para essas pessoas: ACORDA PARA A VIDA E DEIXEM DE SER INVEJOSAS!!!, mas lá vai a velha empatia responder por mim e eu penso “ok, esta mente está condicionada dessa maneira, respira!”.

Contudo, eu quero dizer que este assunto deve se alongar ao máximo de casos: com os pais que não demonstram afetos para os filhos; os casais que deixaram de se mimar e serem carinhosos; os filhos que deixaram depois de crescer, de ser afetuosos com os pais; os amigos que esqueceram de abraçar; os estranhos que não abraçamos; os animais que não damos cafunés; as avós e avôs que perderam nossos beijos; os netos que perderam o carinho nos cabelos; o sorriso para pessoas próximas nas ruas; a atenção que esquecemos de dar ao próximo; o respeito e tantas outras formas de carinho e relações que existem, não podem ser esquecidos.

Não deixe que alguém diga que você não pode demonstrar o quanto seu afeto é gigante, nem o quanto você acha as pessoas especiais, demonstre o que você sente de bom pelas pessoas, essa ação só tende aumentar, cada vez mais pessoas fazendo, cada vez mais pessoas recebendo e o amor reinando em nossa vida.

Eu sei que nessa sociedade doente, onde o bonito é feio e o feio é bonito, algumas convenções são extremamente difíceis de quebrar, porém, é dando o primeiro passo que se diminui a distância, fazendo por si, você ajuda o outro e a si mesmo.

Não deixem que digam que esse carinho não se pode dar.

Beijos, abraços e muitos xeros!!! Até +.

Autor:

Metamorfose ambulante, ♥

5 comentários em “o carinho que não posso dar

  1. Seu texto me lembrou de uma frase de Shakespeare, “só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.”. E no fim, acho que é mesmo isso. Devo ser como você, aquele tipo que sorri para crianças (e leva olhares estranhos), pára e faz carinhos em cachorros (Ou o dono do cachorro puxa o cão, ou quem está com você fica bufando) e que as vezes está tão relaxada em um ambiente, que cumprimenta seu potencial cliente com dois beijos na bochecha e é surpreendida por uma cara de susto, desdém… ou por um cair de ombros, sorriso leve e suspiro relaxado porque essa pessoa também é “do seu tipo” e não sabia como te cumprimentar.
    Se até meu gato tem uns repentes de “vou te amar de longe, não me toque”, imagina os seres humanos, né?

    Curtido por 1 pessoa

    1. Bom dia mulher!!!
      Que feliz lembrar Shakespeare, sou apaixonada por esse danado!
      Temos o dom de nos expressar e a angústia de nos sentir reprimidas, mas acredite, cada pessoa que relaxa ao nosso abraço é um coração a mais aquecido, então, continuar aquecendo o outro, continuará aquecendo nossas vidas! Sobre o gato: felinos são mesmo surpreendentes só nos querem quando estão interessados… Rs
      Obrigada pelo comentário!
      Muito amor enviado daqui para você, beijo :*

      Curtido por 2 pessoas

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