Publicado em Diversos

a mudança de mundo, a representatividade e o barulho de Beyoncé

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Já está mais do que na hora de admitirmos como sociedade que estamos numa das maiores eras de mudanças em todos os tempos. Acontece que essa nova geração é muito mais tolerante e se preocupa muito mais com igualdade do que todas as outras que já habitaram a terra, e isso tem que ser agradecido, tem que ser falado, tem que ser discutido o tempo todo, não deve de nenhuma maneira ser esquecido.

Principalmente, levando em consideração também, toda a onda de ódio que está acontecendo. Todas as pessoas que são extremistas e se juntam à causas violentas, porém, temos que acreditar que os que lutam pela igualdade estão em maior número, finalmente.

Esta semana aconteceu uma coisa importantíssima para o cenário da música pop mundial, para o mundo dos famosos, para o mundo dos espectadores, para o mundo da representatividade negra, para os racistas de plantão escondidos em seus discursos de neutralidade hipócrita e para todos nós.

A cantora Beyoncé lançou um vídeo de “Formation”, sua nova canção, que traz em sua arte e direção muitos símbolos da história do ativismo negro nos EUA. O clip é fortíssimo para quem entende seus signos, a letra defende o amor próprio do negro e berra à uma sociedade capitalista: sou uma Beyoncé negra, não só uma Beyoncé cheia de dinheiro.

Alguns signos que se encontram no clip são expressos nas imagens abaixo:

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O clip foi gravado em New Orleans, além de ser o último estado a permitir o fim da escravidão e dar liberdade aos negros, é o estado com maior índice de violência aos negros nos EUA até hoje.
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Em uma arte que aparece pichada num muro, está escrito a frase: “Parem de atirar em nós”, um pedido claro contra a violência.
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Beyoncé afunda junto com a viatura no final do clip, isso mostra para onde a polícia carrega o negro: para o fundo do rio.
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Além disso, durante o clip há referências sobre a história durante o período da escravidão.
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E ainda, uma cena do homem com o jornal “A verdade” que noticia Martin Luther King: “Mais que um sonhador”.

 

Há no clip outros aspectos que citam o movimento “Black Lives Matter”, que se iniciou após o caso de um rapaz morto injustamente por um policial branco, que foi inocentado. Em muitas cenas também há a expressão da comunidade negra, como os cultos religiosos, os atletas do basquete que valem muito dinheiro para as instituições de ensino, as pessoas na rua e as coreografias incríveis das bailarinas, claro.

Depois de um clip incrível, Beyoncé não se sentiu satisfeita, e se preparou para revelar uma incrível performance em um dos eventos mais importantes de esporte dos EUA – o Super Bowl.

Muitas pessoas se sentiram incomodadas com a performance estarrecedora de Beyoncé e suas bailarinas. Como o clip, a performance também foi muito bem articulada e cheia de significado.

Na performance percebe-se a homenagem ao figurino de Michael Jackson, em uma das apresentações no próprio Super Bowl, e também ao grupo Panteras Negras, que foram grandes ativistas da década dos anos 60/70 e que em 2016 completam 50 anos. A formação em “X” das bailarinas em um momento da apresentação faz referência à Malcom X, importante líder do movimento negro nos EUA.

Pode-se imaginar o tanto de acusações sobre a performance de Beyoncé, mas sejamos corajosos e não deixemos que a luta termine aqui, mas que ela aumente cada vez mais. É necessário apoiar aos artistas que tem coragem de levantar a voz.

Tanto barulho feito por uma das estrelas pops mais importantes dos últimos anos, deve ser um bom motivo para refletirmos sobre que momento estamos enfrentando. A nossa geração tem o dever de continuar e cada vez mais levar as causas ativistas a sério. O nosso mundo está mudando, a sociedade está mudando e devemos nos preparar para tamanha mudança num espaço de tempo tão curto, e principalmente, ter coragem para enfrentar essa mudança.

Vamos torcer por aqui, para que cada vez mais artistas expressem através da sua arte a realidade que passamos e a representatividade que necessitamos. Eu não sou negra, mas como brasileira, eu tenho o gene no meu sangue, e mesmo que eu não tivesse, não seria necessário para aderir à luta de igualdade racial, porque para viver num mundo com mais amor, devemos aprender a amar e lutar pelo bem das pessoas, incluindo, suas causas.

Fontes: Beyonce Now / Hugo Gloss

Autor:

Metamorfose ambulante, ♥

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