Publicado em Poematizese

Sou machista. E agora?

Sejamos observadores. Nascemos num país machista, numa sociedade machista, com um ensino machista, com a cultura de consumo machista, numa família machista, religião machista, entre tantos outros aspectos machistas desde que nos conhecemos como pessoas. Homem ou mulher, somos todos machistas.

Seres humanos se habituam facilmente ao que é confortável, porque aparentemente não é perigoso. É difícil ver problema numa conduta habitual, que ao longo de toda a sua vida sempre pareceu ser “cotidiana”, “comum”, “normal” ou até mesmo “certa”. Considerando esse fato, é fácil perceber que a forma de pensar de pessoas que viveram e cresceram desta maneira, está condicionada diretamente a essa maneira machista de viver.

Não temos culpa por ser machistas. Não se crucifique, reflita e permita-se mudar de conceitos. A maioria dos estímulos que o meio em que vivemos, nos deu, foram esses. Mas, agora que já estamos crescidos o suficiente para saber o que fazemos, é necessário ser um pouco mais reflexivo sobre a própria postura. Isso vai mudar a forma de como você vive.

Vamos pensar no machismo como a repressão cruel e agressão que ele é. Segundo o dicionário, machismo é:

1. Atitude ou comportamento de quem não admite a igualdade de direitos para o homem e a mulher, sendo, pois, contrário ao feminismo. 2. pop. Qualidade, ação ou modos de macho; macheza, machidão. (Michaelis, 2009.)

É muita crueldade acreditar que dois seres humanos não devem ter iguais direitos, simplesmente porque são de gêneros diferentes. Para todos os gêneros é cruel. Mas, vamos considerar que todos aqui já entenderam que somos machistas, qual a importância de como refletir sobre isso, e, mudar a postura é importante.

Alguns amigos homens meus me contam como estão aflitos, por serem considerados machistas, primeiramente porque não sabem muito bem o que significa o feminismo – principalmente, porque a onda do feminismo pegou a mulherada e elas estão indo como um tsunami contra o machismo – e, porque talvez, isso os faça perder suas mulheres ou nem chegar a conquistar uma. Mesmo. De verdade.

Vou contar uma história:

“Uma família comum: dois pais e um filho viviam tranquilamente numa cidade do interior. Lucas estava mudando de escola. A nova escola fica na cidade ao lado da que eles moram. Os pais estavam saturados do filho chegar em casa chorando, por ser o único menino da escola que tem dois pais e nenhuma mãe. Na nova escola, apenas Marcos, um dos pais, era conhecido. Ele era o único que ia nas reuniões e participava da vida escolar do garoto na escola. Em casa, Marcos e Pedro decidiram que a melhor forma de livrar o garoto do bullying escolar, era fazer dele um garotinho comum, que passaria despercebido. Eles escolhiam minuciosamente as roupas do menino para ir à escola, que geralmente eram em cores “masculinas” como azul, verde, amarelo, preto ou cinza. Eles só não queriam que o filho sofresse também na nova escola.”

Você deve achar um absurdo um fato desses ainda acontecer no Brasil em pleno século XXI, ano 2015. Eu também acho. Acredite, ainda acontece, e mais do que imaginamos. Eu pergunto a você: O que você sentiu ao ler “Uma família comum: dois pais e um filho…”?

Se você não sentiu nada demais, parabéns. Isso não foi um problema para você, mas, para muitas pessoas é. Esse é o tipo de apontamento simples para o que chamamos de machismo. São as pequenas coisas que definem o machismo, não é necessário ser um extremista para refletir no outro nosso machismo.

Continuando a análise, esses pais do garoto também podem ser considerados machistas, não é? Mesmo reprimidos, eles permitiram a violência. Além de mover o filho, eles mesmos estão inserindo no cotidiano do garoto uma cultura machista. Então, vemos que mesmo quem sofre com o machismo, pode praticá-lo, mesmo que não concorde com ele, às vezes, é inconsciente ou uma forma de proteção, é o famoso ditado “não pode com ele, junte-se a eles”.

O mesmo que todos nós estamos fazendo com as e os feministas. Estamos nos juntando com a turma, porque não dá mais para viver num mundo onde os homens mandam e pensam, e as mulheres obedecem e sentem. Isso é antinatural.

Essa discussão pode durar por muito mais tempo, afinal, esse é um dos meus temas favoritos. Mas basicamente, pensemos que para deixar de ser machista e aderir ao feminismo, é fundamental conhecer o seu significado:

1 Sociol Movimento iniciado na Europa com o intuito de conquistar a equiparação dos direitos políticos e sociais de ambos os sexos.(Michaelis, 2009.)

Portanto, igualdade de direitos entre homens e mulheres. Respeitemos o corpo, a vida, as decisões e as crenças das pessoas. Cabe a cada um decidir como atuará em seu livre arbítrio, desde que, não seja prejudicial a ninguém.

Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

O conceito é esse. Dá pra seguir?

Autor:

Metamorfose ambulante, ♥

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